A Assimetria do Café: O Desafio do Brasil Frente às Marcas Globais
O café brasileiro no mundo
RESENHAS TÉCNICAS
Fabrício Marques, Henrique Souza, Maria Clara.
5/21/20263 min ler


Matéria baseada na resenha técnica escrita pelo aluno Rafael Saunders Alves Durazzo.
O Brasil consolida-se há décadas como o maior produtor e exportador mundial de café. Em 2025, o país exportou 40 milhões de sacas, gerando uma receita cambial recorde de aproximadamente US$ 16 bilhões, fruto de uma cadeia produtiva altamente eficiente, consolidada e tecnologicamente avançada. No entanto, essa liderança convive com um paradoxo estrutural: o território nacional não possui nenhuma marca global de varejo de café. Enquanto o país domina o elo da produção primária do grão, o controle sobre os segmentos de maior valor agregado — como a distribuição, a marca e a experiência de consumo — concentra-se nas mãos de grandes players internacionais, majoritariamente europeus, norte-americanos e chineses.
Luckin Coffe
A diferença entre vender a matéria-prima e controlar a marca define os rumos da rentabilidade e das margens do negócio. Em 2025, o preço médio da saca exportada pelo Brasil atingiu US$ 389,17, um patamar elevado em termos históricos, mas que ainda deixa o produtor vulnerável à volatilidade do mercado internacional e a margens curtas. Em contrapartida, as empresas dos países importadores possuem maior previsibilidade e amplo controle sobre o preço final cobrado ao consumidor. Essa desigualdade fica ainda mais nítida no segmento de cápsulas de café, avaliado em cerca de US$ 26 bilhões em 2024 e com projeção de se aproximar dos US$ 50 bilhões até 2033, mantendo taxas de crescimento anual superiores a 7%. Nesse nicho de alto valor agregado, onde o preço por quilo do café pode superar US$ 60, as principais marcas globais são europeias e norte-americanas. O Brasil encontra sérias barreiras para se inserir internacionalmente nesse cenário; embora possua capacidade industrial interna, enfrenta restrições não tarifárias no exterior, como exigências de certificações elétricas nos EUA que impedem a importação de maquinário brasileiro de cápsulas
A Captura de Valor
Essa movimentação a favor dos biocombustíveis encontra sólido amparo legal na Lei nº 14.993 de 2024, denominada "Lei Combustíveis do Futuro", que regulamenta e institui programas de incentivo à transição energética. A legislação determina um aumento gradativo e anual da participação obrigatória de biodiesel na mistura do diesel fóssil, sob as diretrizes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com a meta estabelecida de atingir o patamar de 20% até o ano de 2030. Impulsionado por esse cenário favorável, o setor privado tem anunciado investimentos expressivos, a exemplo do Grupo Potencial, que planeja injetar cerca de R$ 6 bilhões até 2030 para expandir sua atuação na produção de etanol de milho e biocombustível de soja. Com a recente inauguração de uma nova esmagadora de soja, a companhia duplicou sua capacidade de processamento diário para 7.000 toneladas, visando suprir a própria demanda por óleo vegetal e reduzir a dependência de fornecedores terceirizados.
O Cenário Asiático e a Fronteira de Oportunidades
Diante de desafios comerciais no Ocidente, a Ásia consolidou-se como a grande fronteira de oportunidades para a produção brasileira. Em 2025, as vendas de café para os Estados Unidos recuaram 33,9%, severamente impactadas por tarifas de 50% sobre o café solúvel nacional. Em contrapartida, o fluxo de exportações para a China, Coreia do Sul e mercados emergentes do Sudeste Asiático manteve-se bastante aquecido. Essa mudança ocorre em um instante de dinamismo no varejo norte-americano, onde o setor de cafeterias cresceu 11,9% em 2025, e a líder Starbucks viu a sua participação de mercado cair de 52% para 48% entre 2023 e 2025, abrindo espaço para concorrentes competitivos.
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