Cenário do Café no mês de Fevereiro e expectativas futuras

O Cenário do Café em 2026

RESENHAS TÉCNICAS

Fabrício Marques, Henrique Souza, Maria Clara.

3/6/20262 min ler

Matéria baseada na resenha escrita pelo aluno Inácio Abrantes Perrupato.

O agronegócio brasileiro ocupa posição de hegemonia no cenário mundial, sendo o país o principal player no suprimento global de café. Contudo, o mês de fevereiro de 2026 evidenciou a vulnerabilidade do setor a variáveis externas, registrando uma retração acentuada nos preços, com a cotação CEPEA atingindo R$ 1.797,61 para o café arábica no dia 25. Esta oscilação negativa de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior reflete não apenas fundamentos produtivos, mas uma reconfiguração na percepção de oferta do mercado.

MONITORAMENTO CLIMÁTICO E PREVISIBILIDADE

A reversão do cenário de apreensão inicial para uma perspectiva de colheita elevada na safra 25/26 demonstra a importância da precisão no monitoramento meteorológico. Enquanto o atraso nas floradas gerou incerteza, o volume expressivo de precipitações em janeiro e fevereiro, com média de 400 mm nas principais regiões produtoras, favoreceu o enchimento dos grãos.

INTELIGÊNCIA DE DADOS E DINÂMICA FINANCEIRA

Observa-se que a tecnologia de informação transcendeu a lavoura, tornando-se indispensável na compreensão dos fluxos de capitais. O aumento das posições vendidas pelos fundos especulativos, que atingiram 20.839 contratos em 24 de fevereiro, intensificou a pressão de baixa nos preços no curto prazo

A análise técnica demonstra uma relação inversa entre os estoques da ICE, atualmente em 477.229 sacas, e os preços futuros da bebida. Embora o baixo nível de estoques possa sustentar os preços por algum tempo, a expectativa de uma safra volumosa indica que cotações acima de R$ 2.100 já não são previstas para o exercício corrente, caso o cenário produtivo se confirme

CONCLUSÃO E ESTRATÉGIA

Infere-se que a volatilidade intrínseca ao mercado de café, potencializada por tensões geopolíticas e variações cambiais (dólar a R$ 5,13), exige uma gestão baseada em dados. A recomendação técnica de comercialização escalonada ("escadinhas") e o uso de travas de preços entre R$ 1.700 e R$ 1.800 para 2026 e 2027 não são apenas decisões administrativas, mas o resultado de um ordenamento técnico que integra tecnologia e inteligência de mercado.

Em última análise, a tecnologia no agronegócio deixa de ser um acessório para tornar-se a base da resiliência econômica do produtor.