Reforma Tributária: O Caminho para a Simplificação e Competitividade no Agro
A Estratégia por trás da reforma tributária
RESENHAS TÉCNICAS
Fabrício Marques, Henrique Souza, Maria Clara.
5/7/20262 min ler


Matéria baseada na resenha técnica escrita pela aluna Júlia de Abreu Bitencourt Faria.
O sistema tributário brasileiro é amplamente reconhecido por sua complexidade e burocracia, o que frequentemente resulta em insegurança jurídica e custos operacionais elevados para o setor produtivo. Com o objetivo de modernizar esse cenário e promover um crescimento econômico mais sustentável, a Reforma Tributária surge como uma solução para tornar a cobrança de impostos mais justa e transparente, reorganizando a cadeia do agronegócio sob os princípios da neutralidade e da não cumulatividade.
A Estrutura do IVA Dual e o Imposto Seletivo
A base fundamental dessa mudança é a implementação do Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) Dual, que unifica a tributação sobre o consumo. Esse sistema é composto pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de responsabilidade federal, que juntos substituem cinco tributos antigos. Além disso, a reforma introduz o Imposto Seletivo, um mecanismo extrafiscal desenhado para desestimular o consumo de produtos que possam causar danos à saúde ou ao meio ambiente.
Benefícios e Isenções para a Cadeia Produtiva
A nova legislação estabelece regras favoráveis para o setor rural, prevendo que alimentos destinados ao consumo humano e insumos agropecuários tenham uma alíquota reduzida a apenas 40% da alíquota padrão. Paralelamente, para fomentar a modernização tecnológica no campo, a venda e a importação de máquinas e implementos agrícolas também serão isentas de impostos, enquanto as exportações permanecem imunes, com a garantia de restituição ágil dos créditos tributários acumulados.
O Impacto nos Diferentes Perfis de Produtores
Em relação ao perfil do produtor, a reforma utiliza o limite de faturamento anual de R$ 3,6 milhões como o principal critério de enquadramento. Produtores que faturam abaixo desse valor têm a opção de não serem contribuintes diretos, permitindo que as empresas adquirentes de sua produção aproveitem um crédito presumido para abater seus próprios impostos. Já para os médios e grandes produtores, o sistema de créditos será automático e amplo, permitindo que o tributo pago na aquisição de insumos essenciais seja integralmente descontado do valor devido na comercialização, eliminando a cumulatividade de taxas ao longo da cadeia.
Transição Gradual e a Necessidade de Planejamento
implementação dessas mudanças ocorrerá de forma progressiva entre os anos de 2026 e 2033, permitindo que o setor se adapte ao novo ambiente de negócios sem rupturas bruscas. No entanto, esse novo modelo exigirá que o agronegócio adote uma gestão administrativa e financeira significativamente mais rigorosa para garantir que todos os créditos tributários sejam devidamente aproveitados. O planejamento estratégico e o controle detalhado do fluxo de caixa deixarão de ser diferenciais competitivos para se tornarem requisitos essenciais na preservação da prosperidade e da eficiência do agro brasileiro no mercado global.
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